Foto: Luan Volpato
O dia 13 de maio de 1888 marcou oficialmente o fim da escravidão do povo negro no Brasil, com a assinatura da Lei Áurea. Desde então, é realizada a festa Raiar da Liberdade em Cachoeiro de Itapemirim, que relembra essa emblemática data. Com música, dança e apresentações de grupos, além da tradicional feijoada, a celebração ocorre anualmente em diversas localidades do município, na zona urbana e em distritos rurais.
No bairro Zumbi, o evento acontece dia 13 de maio em dois locais: no Centro Espírita São Jorge, comandado pela mestra Terezinha de Jesus de Oliveira Francisco, e no Centro Espírita Menino Jesus e Nossa Senhora Aparecida, sob o comando de Niecina Ferreira de Paula Silva, mais conhecida como dona Izolina, também mestra do Caxambu da Velha Rita. Ambos têm início às 18 horas.
Em seguida, a festa acontece no Quilombo Monte Alegre, distrito de Pacotuba, em 18 de maio, a partir das 17 horas. Neste ano, a edição conta com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), por meio do Edital 04/2022 – Valorização das Culturas Tradicionais, da Secretaria da Cultura (Secult), e o apoio da Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense, do Instituto Ádapo e do Studio Inovar Arquitetura. Gratuita e aberta ao público em geral, a programação contará com missa, apresentações culturais diversas e a tradicional feijoada.
Na semana seguinte, em 25 de maio, o Raiar da Liberdade será realizado na comunidade de Vargem Alegre, distrito de São Vicente, a partir das 16 horas. A programação contará com mesa de debate, missa afro-brasileira, apresentações dos grupos e feijoada comunitária. Este evento conta com patrocínio da ES Gás – Grupo Energisa, viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), da Secult.
Em comum entre essas edições do Raiar está o fato de serem realizadas rodas de caxambu em cada local. O caxambu é uma manifestação que remonta aos tempos da escravidão no Brasil, quando os negros escravizados dançavam em uma roda e cantavam jongos (versos tendo como tema a fé e o cotidiano), buscando amenizar o sofrimento do cativeiro. As rodas quase sempre são formadas ao lado de uma fogueira, ao som de batuques e tambores. Dona Ormyr, do grupo Alegria de Viver, declara que “o Caxambu é uma dança que se dança sem cavalheiro. Qualquer um pode dançar. Quando danço esqueço de tudo”.
Vale ressaltar também que a maioria dos mestres de caxambu foram declarados Patrimônio Vivo de Cachoeiro, pela Lei Mestre João Inácio, entre outros reconhecimentos recebidos, como o Prêmio Mestre Armojo do Folclore Capixaba, Prêmio Mestra Dona Izabel, Comenda Rubem Braga e Comenda Domingos Martins. Já os grupos Caxambu da Velha Rita, Caxambu Alegria de Viver e Caxambu Santa Cruz, por exemplo, receberam o título de Patrimônio Nacional, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
“É fundamental trabalhar pela manutenção desses grupos e pelo reconhecimento de seus mestres, para que haja uma perpetuação da sua existência por meio da transmissão do saber às novas gerações”, afirma Genildo Coelho Hautequestt Filho, gestor de projetos da Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense, entidade da qual os grupos de caxambu fazem parte, e presidente do Instituto Ádapo.
Como chegar a Monte Alegre
Siga pela BR482, no sentido Cachoeiro x Alegre. Vire à direita no trevo de Burarama. Após passar pela sede do Incaper, vire à direita em uma estrada não pavimentada e continue seguindo por mais 8km nessa mesma estrada (que passa por dentro da Floresta Nacional de Pacotuba), até chegar ao quilombo. A localização no Google Maps é:
Como chegar a Vargem Alegre
Seguir pela rodovia Cachoeiro X Castelo. Na Usina São Miguel, entrar na estrada em direção ao distrito de São Vicente. Antes de chegar a São Vicente, virar à esquerda (há uma placa indicativa) e seguir por um pequeno trecho de estrada não pavimentada até Vargem Alegre. A localização no Google Maps é:
https://goo.gl/maps/p7KGXvw1i6zatdiGAFonte: Salvaguarda Do Patrimônio Imaterial Cachoeirense
fonte original do Jornal Fato
