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Prisão de mandantes do caso Marielle elucida modus operandi das milícias do RJ

Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio

“Esse momento é extremamente significativo, é uma vitória do Estado brasileiro”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ricardo Lewandowski, em entrevista coletiva neste domingo (24). A afirmação é referente à prisão preventiva de três suspeitos dos homicídios da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). O pronunciamento aconteceu no Palácio da Justiça, em Brasília (DF).


“Neste momento nós temos, bem claro, os executores deste crime, podemos dizer odioso, hediondo, por ser um crime de natureza política. A Polícia Federal, em suas investigações identificou os mandantes e os demais envolvidos”, observou o ministro, que não descartou o envolvimento de outros participantes no crime.


Iniciada na manhã deste domingo, a Operação Murder Inc prendeu Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ), e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. As prisões ocorrem após o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar a delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, que está preso desde 2019 sob acusação de ser um dos executores do crime. Lessa indicou quem eram os mandantes e também a motivação do crime.

“Nesse momento a Polícia Federal encerra essa fase da investigação, apontando não só os mandantes, mas também apontando aqueles executores e aqueles intermediários e que de alguma maneira tem alguma relação com crime. Isso não anula, invalida que outras operações possam ser adotadas a partir desta etapa das apreensões, da análise de material que será feita e encaminhada ao Poder Judiciário”, afirmou o Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Sobre o inquérito, o diretor da PF afirmou, ainda, que durante os primeiros cinco anos houve a tentativa de desviar o foco da investigação dos verdadeiros mandantes. Um dos suspeitos presos nesta manhã, o delegado Rivaldo Barbosa, foi nomeado chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro no dia 8 de março de 2018. “Pode ser dito que, já antes do crime, havia uma relação indevida desse, que era então chefe da Delegacia de Homicídios, e depois chefe de polícia para desviar o foco da investigação daqueles que são os verdadeiros mandantes do crime”.

Motivação

Ainda de acordo com Andrei Rodrigues, o relatório policial do caso aponta que a motivação do crime faz parte de um contexto que envolve o crime organizado, as milícias no Rio de Janeiro, regularização fundiária e a defesa do direito à moradia.

“A motivação básica do assassinato da vereadora Marielle Franco, que se opunha justamente ao grupo que, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, queria regularizar terras para usá-las com fins comerciais, enquanto que o grupo da vereadora Marielle queria utilizar essas terras para fins sociais, para fins de moradia popular”, esclareceu o ministro Lewandowski.


“O que este relatório policial e as longas investigações revelam é o modus operandi das milícias no Rio de Janeiro, que é bastante sofisticado, complexo, que se espalha infelizmente por todo o estado e por várias atividades. Tenho a impressão que, a partir deste caso, nós podemos, talvez, desvendar outros casos ou pelo menos seguir o fio de um novelo, cuja dimensão ainda não temos clara. Essa investigação é uma espécie de radiografia de como operam as milícias e o crime organizado no Rio de Janeiro”, concluiu o ministro.


A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. Eles foram baleados após participarem de um evento público na capital do estado. O carro foi atingido por 13 tiros. Além de ativista dos direitos humanos, da igualdade e do respeito à identidade de gênero, Marielle era uma obstinada estudiosa do sistema de Justiça e de seguranças pública.

Fonte: Agência Gov

fonte original do Montanhas Capixabas

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