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Composto de bactéria amazônica tem potencial para tratar doenças

Foto: Freepik

Artigo publicado nesta terça-feira (12) na revista “Scientific Reports” divulga o potencial de um composto químico produzido por bactérias encontradas no solo de uma área de mineração de bauxita em recuperação no Pará . Feito por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de instituições parceiras, o estudo mostra que o composto exibiu propriedades viricidas e bactericidas, além de mostrar capacidade de eliminar células cancerosas sem prejudicar as células saudáveis.

A  pesquisa investigou o potencial farmacêutico de uma cepa da bactéria Pseudomonas aeruginosa , isolada do solo de uma mina de bauxita em processo de recuperação ambiental na região de Paragominas, no leste do Pará. Essa cepa microbiana produz um tipo de ramnolipídeo, um glicolipídeo gerado por bactérias, que demonstrou resultados promissores contra vírus e microrganismos patogênicos nos testes realizados.

Para José Pires Bitencourt, um dos autores do artigo, o composto “é uma substância que ajuda a bactéria a captar algum nutriente que seja interessante e ajuda na comunicação entre bactérias da mesma espécie”.

Segundo o pesquisador, as concentrações de composto testadas reduziram a viabilidade das células cancerígenas para menos de 50% em um período de 72 horas, evidenciando um potencial antitumoral equiparável aos efeitos alcançados pela quimioterapia convencional.

Bitencourt explica que as condições ambientais do solo amazônico são propícias para compostos de interesse farmacêutico, como o estudado pela pesquisa. “Diferentes subespécies de bactérias encontradas em várias condições de solo produzem biossurfactantes, influenciadas por fatores como clima, evolução do solo, regime hídrico, interação com outros organismos e impacto humano”, pontua.

“Pode ser que daqui um ano a mesma bactéria, da mesma mina, tenha um conjunto de fatores diferentes e o composto não seja mais produzido”, diz Bitencourt.

Para o cientista, isso aumenta a importância de incentivos para projetos que estudem a biodiversidade da Amazônia. “A microbiota da Amazônia é pouco estudada e nos impede de explorar a diversidade desses grupos, não apenas para uso médico, mas também para a agricultura e para a exploração mineral”, defende.

Bitencourt ressalta que ainda não existe um cronograma para a implementação industrial do composto. Contudo, destaca a importância da continuidade da pesquisa como um pilar fundamental para o desenvolvimento de produtos potenciais no futuro.

“Os próximos passos serão a otimização do cultivo para termos um crescimento mais rápido do microrganismo e fomentar a maior produção do ramanolipídio. Depois faremos o genoma completo para busca de outros mecanismos de interesse industrial”, conclui.

O estudo abordou a toxicidade do composto em relação a três tipos de vírus (herpes simples, coronavírus murino e vírus sincicial respiratório), células de adenocarcinoma de mama metastático, além de diversas cepas bacterianas ( Salmonella, E. coli, estafilococos ) e fungos ( Candida ).

Uma solução contendo o composto, com uma concentração de 250 μg/mL, foi capaz de inibir 97% da atividade viral em todos os tipos de vírus testados. Resultados similares foram observados com uma solução de 50 μg/mL, durante 15, 30 e 60 minutos, sugerindo que a eficácia viricida está correlacionada ao tempo de exposição.

Fonte: Portal IG

fonte original do Montanhas Capixabas

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