Ao todo, dez escolas disputam o título de campeã do Carnaval 2026, sendo cinco apresentações por noite
Começou o Carnaval de Vitória com os primeiros desfiles das escolas de samba do Grupo Especial nesta sexta-feira (6). Os foliões puderam prestigiar as escolas Pega no Samba, Novo Império, Unidos de Jucutuquara, Mocidade Unida da Glória (MUG) e Imperatriz do Forte. As apresentações aconteceram no Sambão do Povo, em Vitória, arrastando foliões e levantando o público nas arquibancadas e camarotes.
Este ano, o Carnaval de Vitória adota um novo modelo para os desfiles: as 10 escolas do Grupo Especial se apresentam em duas noites. Depois das cinco agremiações do primeiro dia de desfiles, outras cinco entrarão na avenida neste sábado (7), a partir das 22 horas: Rosas de Ouro, Piedade, Boa Vista, Chegou o que Faltava e Andaraí.
Pega no Samba
No retorno à elite do carnaval capixaba, o Pega no Samba abriu os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Okê, Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”, uma homenagem à emblemática entidade afro-indígena. A agremiação recorreu ao simbolismo das sete flechas para exaltar a sabedoria dos povos originários, a cura e a proteção para transformar a avenida em um espaço de fé e resistência cultural.
Ao integrar elementos da fauna e flora ao sagrado, a escola celebrou sua identidade e promoveu uma reflexão sobre a preservação ambiental e o respeito às tradições ancestrais que formam a base do Brasil.
Com as cores azul, vermelho e branco, a Pega no Samba foi fundada em 1976, no bairro Consolação, na Capital. A escola é uma das agremiações mais representativas do Carnaval de Vitória e atualmente está sob a presidência de Dannilo Amon, com criação do carnavalesco Jorge Mayko.
Novo Império
A tradicional Novo Império levou ao Sambão o enredo “Aruanayê – guardiãs dos mistérios ancestrais”, com representação da Mãe Terra e da sabedoria feminina. A escola uniu espiritualidade e natureza para exaltar as mulheres como guardiãs da cura e da continuidade da vida. Integrando elementos como florestas, rios e astros, a apresentação transformou a ancestralidade em poesia visual, com um desfile de encantamento e resistência que busca o equilíbrio através do respeito às tradições, voltadas para a figura de Aruanayê. A agremiação apostou em uma mitologia original concebida pelo carnavalesco Osvaldo Garcia.
Nascida a partir da união de foliões dos bairros Santo Antônio, Vila Rubim e Caratoíra, em Vitória, a Novo Império acumula 7 títulos no Grupo Especial, com vitórias nos anos de 1978, 1980, 1985, 1987, 1988, 1989 e 2022.
A escola teve problemas com o carro de som durante o aquecimento e atrasou a entrada na avenida. Além disso, parte dos adereços da bateria não chegaram a tempo e os ritmistas masculinos tiveram que entrar sem a parte de cima.
Unidos de Jucutuquara
Terceira escola a atravessar o Sambão do Povo, a Unidos de Jucutuquara apresentou o enredo “Arreda Homem Que Aí Vem Mulher”, celebrando a força feminina e a ancestralidade por meio da figura de Maria Padilha, pombagira das religiões afro-brasileiras. Sob o olhar do carnavalesco Marcelo Braga, a agremiação verde e vermelha transformou o desfile em um ato de resistência cultural e espiritual, unindo fé e identidade para homenagear as mulheres que rompem silêncios e protagonizam suas próprias histórias.
Fundada em 1972, em Jucutuquara, Vitória, a agremiação coleciona sete títulos no Grupo Especial, conquistando o primeiro lugar em 1990, 2002, 2004. De 2006 a 2009 foram quatro títulos seguidos.
Mocidade Unida da Glória
A Mocidade Unida da Glória (MUG) levou para o carnaval o enredo “O Diário Verde de Teresa”, em homenagem à princesa e cientista alemã Teresa de Baviera e sua expedição pioneira ao Espírito Santo em 1888. Sob a criação do carnavalesco Petterson Alves, a escola celebrou o legado intelectual da pesquisadora, que dominava 12 idiomas e catalogava a biodiversidade local em uma época de restrições ao acesso feminino às universidades.
A escola destacou a trajetória de Teresa para promover uma reflexão sobre a preservação ambiental e o respeito aos povos originários.
Apesar do atraso causado pela demora na entrada do último carro alegórico, a agremiação conseguiu se reorganizar e completar a apresentação dentro do tempo.
Fundada em 1960, no bairro da Glória, em Vila Velha, a MUG e é uma das escolas que acumulam mais títulos no carnaval capixaba, somando 9 vitórias, conquistadas nos anos de 2003, 2005, 2011, 2013, 2015, 2016, 2018, 2023 e 2024, além de dez vice-campeonatos.
Imperatriz do Forte
Encerrando o primeiro dia dos desfiles, a Imperatriz do Forte trouxe o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”, que exaltou a cultura afro-brasileira sob uma perspectiva decolonial e de celebração. O objetivo foi substituir narrativas de dor pela valorização de saberes ancestrais e do sagrado, representado pelo xirê, palavra em iorubá para a “roda”. A escola verde e rosa entrou na avenida valorizando a identidade preta como força viva do país, transformando o desfile e o carnaval em um momento de resistência cultural, educação e ressignificação da história.
No início do desfile, o carro abre-alas — que havia sido danificado pelas chuvas da última semana — enfrentou dificuldades para entrar na avenida. Apesar disso, a escola se superou e conseguiu concluir a passagem pelo Sambão dentro do tempo previsto.
Fundada em 1972, no Forte São João, em Vitória, a Imperatriz do Forte atravessou o sambódromo sob a criação do carnavalesco Marcus Paulo.
Serviço
- Carnaval de Vitória – Segunda noite de desfiles do Grupo Especial
- Data: Sábado (7)
- Horário de abertura dos portões: 19h
- Horário de início dos desfiles: 22h
- Local: Sambão do Povo / Av. Dário Lourenço de Souza, sn – Santo Antônio, Vitória/ES
- Ingressos: https://brasilticket.com.br/carnaval-de-vitoria-2026-.html
Fonte: https://www.agazeta.com.br/carnaval/carnaval-de-vitoria-2026-como-foram-os-desfiles-das-escolas-na-1-noite-0226
